O Investidor Que Nada Sabe

…o dinheiro não cresce das árvores, sabem?

2.O PORQUÊ DO TRADING?

O porquê do trading? Bem, penso que seja tudo por minha causa. Num mundo em que desde o primeiro dia dizem-nos o que fazer e como o fazer, o trading é extremamente apelativo porque somos nós, individualmente, que temos os poder de decisão, quando comprar, quando vender, quanto se quer investir e quais as ações a comprar. Liberdade é a palavra. Trading é liberdade e fazer disso vida soa a ganhar o jackpot do euromilhões.

Se no meu dia a dia no trabalho algo corre mal, eu posso atribuir a responsabilidade aos meus colegas, de como o meu chefe decidiu e mesmo de como a instituição está organizada. No trading as nossas decisões são nossa responsabilidade, estamos sós. Assume o lucro ou irás perde-lo. Não há desculpa a partilhar. Isso soa-me maravilhosamente ao meu ouvido. Ter uma atividade em que posso provar que sou bom em alguma coisa, sem intreferência de terceiros, onde sorte ou conhecer as pessoas certas não interessa, é uma atividade em que quero estar envolvido. As únicas preocupações é estudar muito, manter-me focado e curioso, e permanecer humilde…pelo menos era o que inicialmente pensava.

De qualquer forma, tinha a certeza que seria bem sucedido. Afinal não sou tipo normal (mas isso é o que todas as pessoas pensam de si mesmas).

Mas consegue um ser humano lidar com liberdade ilimitada?

 

 PTEN

1.VERDES ANOS

Em 2010 estava à espera do meu segundo filho e comecei a interrogar-me como poderia melhorar o rendimento familiar. Não porque o meu rendimento não fosse suficiente, mas porque que queria garantir um futuro familiar sem sobressaltos, onde eu, a minha mulher e os meus filhos tivessemos muitas possibilidades de escolha na decisão dos grandes dilemas familiares, como “devem os miúdos estudar no estrangeiro?” ou “devemos mudar-nos para uma casa maior?” ou ainda “Estarei a poupar o suficiente para a reforma?”. E para se ter um leque alargado de opções, certamente que o dinheiro ajuda.

Então lembrei-me de uma paixão antiga que era investir em ações. Quando tinha pouco mais de 20 anos investi parte dos meus primeiros ordenados em ações e correu bastante bem. Num periodo curto de tempo tive um lucro de mais de 20%. Depois fechei todas as posições para comprar o meu primeiro carro, que ainda tenho. Se continuasse com as ações por muito mais tempo teria perdido mais de metade do capital inicial. Sorte de principiante, acho…

Mas este retorno aos mercados seria diferente, porque eu queria aprender todos os segredos e truques do trading. Delinei um plano em que no primeiro ano só estudaria, e simultaneamente pouparia dinheiro para investir. O que poderia correr mal? E se tudo corresse bem e de acordo com o meu plano, provavelmente conseguiria desistir do meu trabalho! Sim, concerteza…

Com estes pensamentos positivos a toldar-me o raciocínio comecei a ler livros sobre análise técnica e diferentes estilos de negociação. Também me tornei leitor assíduo de fórums e blogues. Estava realmente curioso e apaixonado pelo trading e queria absorver o máximo que pudesse. Aprendi sobre gráficos, médias móveis, RSI, MACD, linhas de suporte e resistência, longo, curto, swing, momentum e day trading, options, CDF’s, ETFs, gestão de capital e psicologia, psicologia e psicologia.

Finalmente, percebi que precisava de ser forte psicologicamente e ter um tipo de gestão de capital que me permitisse preservá-lo de mim mesmo – o que é uma grande licão, diga-se.

Decidi, também, que me posicionaria no mercado como trend-follower de longo termo e que negociaria CFDs, um derivado financeiro que nem é permitido pelo US Securities and Exchange Commission, por ser um contrato entre duas entidades e não se conseguir controlar se o adjacente é efetivamente adquirido, mas como me permitia estar alavancado num rácio de 10:1 em ações, achei que seria uma boa opção porque o capital inicial não era muito.

Em 2011, após mais de um ano a estudar e a preparar-me para negociar, Portugal entrou praticamente em bancarrota e pediu auxílio à CE/BCE/FMI para se submeter a um programa de ajuda financeira. Para mim, como trabalhador em funções públicas, foi um revés porque vi o meu rendimento encolher. Isto obrigou-me a ajustar a minhas despesas e investimento, mas também deu-me mais força para aprender mais sobre investimento. Contudo, fiquei frustrado por ver o meu salário reduzido, apesar de compreender as implicações de ser funcionário público, para mais quando é praticamente impossível de ser despedido. Mas eu sempre tinha sido um bom trabalhor, com capacidade acima da média e honesto, porque teria que ser eu a pagar por um Estado burocrático, mal gerido e, por vezes, corrupto? Não tenho, como dizem os meu amigos liberais “Se não estás contente vai e procura melhor”, mas o sector privado foi fortemente atingido e os empregos encolheram drasticamente. De qualquer forma, continuava numa posição confortável, vivendo perto do local de trabalho e capaz de acompanhar o crescimento dos meus investimentos mais preciosos, os meus filhos. Qual o interesse de ser tão bom investidor se não consigo providenciar uma educação próxima dos meus filhos? Eles são sem dúvida o meu mais valioso e importante bem. Se tentar ser o melhor pai que conseguir, proporcionar-lhe um crescimento com amor e uma boa educação parental, provavelmente no futuro terei evitado uma data de dores de cabeça e dinheiro mandado janela fora.

Desde que sou pai, lembro-me sempre:

“Prepara hoje os teus investimentos de amanhã.”.

 

 PTEN